Até o Código de Processo Civil de 2015, regularizar um imóvel por usucapião exigia processo judicial. Hoje existe o caminho do cartório, previsto no art. 216-A da Lei de Registros Públicos e regulamentado pelo Provimento n. 149/2023 do Conselho Nacional de Justiça. Quando a documentação está em ordem e ninguém se opõe, ele costuma ser bem mais rápido.
Quem pode usar
Qualquer possuidor que já cumpra os requisitos de alguma modalidade de usucapião (extraordinária, ordinária, especial urbana e outras) e que consiga provar a posse com documentos. A modalidade e o prazo são os mesmos da via judicial. O que muda é o procedimento.
O que o pedido precisa ter
- Advogado. A lei exige que o requerente seja representado por advogado.
- Ata notarial lavrada em tabelionato, atestando o tempo de posse e suas circunstâncias.
- Planta e memorial descritivo assinados por profissional habilitado, com a anotação de responsabilidade técnica (ART ou RRT).
- Certidões negativas dos distribuidores da comarca do imóvel e do domicílio do requerente.
- Provas da posse: contratos, recibos, carnês de IPTU, contas de consumo, fotos, declarações.
Como corre no cartório
- O pedido é protocolado no cartório de registro de imóveis da situação do imóvel.
- O registrador notifica o proprietário que consta da matrícula e os confrontantes que não assinaram a planta. Desde a Lei n. 13.465/2017, o silêncio do notificado vale como concordância.
- União, Estado e Município são cientificados para dizer se têm interesse na área.
- Publica-se edital para eventuais terceiros interessados.
- Sem impugnação e com a documentação aprovada, o registrador registra a usucapião e o imóvel passa a ter matrícula em nome do possuidor.
Quando o cartório não resolve
Se houver impugnação que o registrador não consiga resolver, ou se a área for pública, o pedido vai para a via judicial. No litoral, terreno de marinha e área de preservação são as situações que mais travam o procedimento, e vale verificá-las antes de começar.
Se você tem um imóvel nessa situação e pensa em vender, conte o caso. Se está comprando um, peça a análise documental antes de pagar o sinal.


